quarta-feira, 25 de abril de 2012


That night I dreamed about you



"É, sonhei de tudo como um dia de domingo. É, o que vier para nós dois será bem vindo. É, mas não demore quanto ao tempo pra chegar. Chegou!
É, eu já consigo ver além da nossa fonte. É, eu consigo ver além do horizonte. É, mas não demore quanto ao tempo pra chegar. Chegou!
Lágrimas não são forever. Dores já não são together. Quando a gente ama e espera. Um dia assim chegar. Chegou!"



sábado, 21 de abril de 2012



“Você sente? O que é que você sente? Você sente porque sente ou você sente porque quer sentir? Existem sentimentos idealizados, coisas que os poetas e escritores colocaram em nossa cabeça, coisas das quais sentimos falta, e necessidade de sentir, mesmo sem nunca ter tido nada semelhante. Tais sentimentos existem, ou seriam apenas criação de cérebros desocupados? Segunda opção, pra mim. Vivemos numa eterna busca por sentimentos idealizados, como se procurássemos por tesouros inexistentes, como que cavando buracos em cômoros.

E nós estamos sempre querendo sentir. Queremos com tanta veemência, que não sabemos se estamos sentindo de verdade ou se estamos forçando a barra, fazendo tudo que é possível para acreditarmos que estamos realizados, felizes e… sentindo as coisas. Às vezes me pego sentindo nada, ou quase nada, mesmo quando tudo que quero é sentir algo. Tanto quero sentir que praticamente acredito na minha própria mentira. Acredito tão piamente que sinto que acabo sentindo, quando na verdade nada sinto.”

sexta-feira, 13 de abril de 2012


Look for the girl with the broken smile


Ask her if she wants to stay awhile






So you're with me or not?


Não quero soar como aqueles seus ex-namorados controladores ou sentimentais, mas dá pra ver no brio pálido dos teus olhos de sangue, que o mundo anda arrancando suas cutículas. Conte mais a respeito, te espero às sete, no último lamento do sol, antes de afogar-se no púrpura-laranja-escarlate do rio. Naquele mesmo banco latino-americano, no mesmo parque, encarando aquela estátua histórica que a gente ainda não descobriu quem está lá, montado no cavalo, para sempre. Traga cigarros, um sorriso improvisado e um pano pra grama que caiba nada mais que nós dois.

Hein. Não é bom saber que você tem um amigo que te ama mais que um amigo? Olha, eu sei que você andou cruzando esquinas a fim de uma pessoa que não era eu, só que não ligo. Essa coisa de orgulho e dignidade nunca foram comigo mesmo. E ainda que eles tenham levado pra longe tudo que você parecia ter de bom, eu não me importo de ficar com o amargo-azedo que restou. É mais do que tudo que já me pertenceu em quatro encarnações. Let me take you down e tirar seu vestido sujo de festa, deslizando alças e dois dedos em alguma rua púdica do teu corpo branco. Isso, claro, se você não apagar até lá.

Calma. Respira. Quieta e sem choro. A gente volta na trilha dos seus projetos que se perderam. E se nem com minha ajuda você conseguir achá-los, te deixo morar num dos meus – de todo jeito, minhas esperanças são como uma casa de espelhos que você não pode mover o pescoço sem se ver. Sabe, nunca me incomodou ouvir as coisas idiotas que você tem a dizer, mas se eu puder calar sua excentricidade falsa, se você for capaz de não fingir-se de oca por uns cinco minutos, será sua hora de me ouvir. Não interessa se o seu passado nunca foi de escutar ninguém. Olha pra mim. Às vezes não parece, mas você é adorável, garota. E se o mundo não tem dado a mínima pra você, o azar é do mundo, e não seu. E a sorte é nossa.

Você é. Uma letra que eu rabisquei na vontade da tua pele e agora não consigo cantar e executar a melodia na gaita-de-boca ao mesmo tempo, porque você é assim, mesmo em frangalhos ainda é tudo e demais pra mim. Ficar comigo na teoria pode ser mais doce que na prática, mas você vai se acostumar. Eu vou me acostumar. A gente se acostuma com tudo. Você vai ver. Esta noite estou a fim de dizer eu te amo. O que você acha disso? Então, você está comigo ou não? Negue e eu dou o fora, porque eu não aguento mais te ver desse jeito.

                                          Gabito Nunes

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Fresno Rock.










Acho que te devo um pedido de desculpas. É que nem eu mesmo gosto muito de mim, e fico meio assustado quando alguém me diz que consegue isso. É que você parecia minha amiga, só minha amiga. Você fala como uma amiga. Me cumprimenta como amiga. Me telefona e me convida para cinemas como uma amiga. Seu riso é de amiga. O seu abraço é de amiga. Mas eu devia ter desconfiado, seus cabelos sempre tiveram cheiro de namorada. Existe algo errado numa amizade quando o resto do mundo parece chato e nós os únicos legais.
Mas, conhecer você e ser seu parceiro de pipoca foi bom. Bom como ler uma letra bonita sem poder escutar a incrível música por trás dela. Como planejar um final de semana na praia e ter dois pneus furados no meio da estrada. Descobrir uma ruazinha bonita no seu bairro e ser estuprado nela. Você é a chuva no meu piquenique. Você é o show do Weezer que não consigo ver porque sou muito baixo. Você é a deliciosa torta de chocolate e limão que para comer eu preciso estar presente no aniversário de 70 anos da minha tia Rosalina. Sou Jennifer Aniston tentando converter um gay em "A Razão do Meu Afeto". Você é minha pipa enrolada nos fios de alta-tensão. Você é meu peixe novo que morreu na primeira semana. Você é o irmão gêmeo malvado que eu descobri a existência. Você é o game "The Beatles: Rock Band" para XBox que custa quase dois mil dinheiros. Você é como uma baleia em extinção querendo viver na minha piscina de mil litros. É como se eu finalmente aprendesse a voar e você fosse a Kriptonita. Eu sou o país independente que você não deixa em paz. Você é o braço que eu quebrei tentando catar as goiabas do vô Agenor. Você é o Barcelona vs Real Madrid que não passa na minha tevê. Sou Midas louco pra te beijar a boca sabendo que tudo que ponho a mão vira ouro. É como abrir minha lata de refrigerante e descobrir um camondongo morto boiando dentro. É como criar coragem pra subir no palco cantar "Love Will Tear Us Apart" e lá de cima enxergar você no guichê, pagando pra ir embora.

Sei que andei falando coisas sem pensar. Me esforcei pra deixar quieto, ficar de boca calada, não fazer merda. Quase deu certo. Você sabe, sou meio blá. Olha, sei que andei falhando todas essas vezes, nos últimos meses. Em minha defesa, não era bem eu. Só estava tentando ser uma outra coisa, sei lá, algo que pudesse merecer você. Como eu poderia adivinhar que alguém como você gostaria de mim, assim desse jeito atrapalhado que eu sou? Vamos ser sinceros, pra conquistar você tinha de ser de rali. Contando só a arrancada eu não teria a menor chance.


Um dia, eu sei, você vai entender os meus motivos. E talvez eu os entenda também. Você estava meio etílica, mas sei que foi honesta, pelo menos na hora em que disse aqueles troços. Não sei o nome disso que estamos sentindo um pelo outro e também não me importa. Pode ser o ápice ou o precipício, e tudo bem. E também não sei se teremos habilidade para cultivar isso por três semanas ou por três décadas inteiras. Só sei que agora estou interessado em saber como será o próximo passo.

                                                                              Gabito Nunes.